Lumina
Estatística Aplicada à Saúde · Módulo HEALTH.1
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HEALTH.1 · planejamento

Da pergunta ao plano de análise

Você vai aprender a escolher qual pergunta de pesquisa em saúde uma tabela pode responder e a escrever um plano curto que torna a resposta verificável. O resultado não é o nome de um teste: é uma comparação declarada, um efeito estimado e uma explicação honesta da incerteza.

Comece pela decisão clínica

Uma clínica acrescenta seis semanas de apoio à alta. A tabela de acompanhamento tem uma linha por pessoa: grupo, escore de sintomas na alta e escore seis semanas depois. Antes de olhar qualquer resultado, a equipe precisa decidir o que quer relatar.

Escolha a Pergunta A quando a decisão da clínica é qual grupo apresenta menos sintomas no acompanhamento programado. A Pergunta B descreve mudança dentro das pessoas; ela não compara os grupos. A Pergunta C compara mudanças e só serve quando essa é a decisão desejada. A mesma tabela sustenta as três, mas não faz delas a mesma pergunta.

o que você vai conseguir fazerTransformar uma decisão concreta em saúde em um plano: quem comparar, qual desfecho medir, quando medi-lo, o que cada linha representa e que resultado responderá à pergunta.

Como a mesma pergunta pode aparecer em um artigo

Você já declarou população, comparação, desfecho e período em linguagem comum. Alguns artigos resumem essas partes como PICO: População, Intervenção, Comparador e Desfecho. Aqui: adultos elegíveis que deixam a clínica; programa de apoio; cuidado usual; e escore de sintomas em seis semanas. Em uma pergunta não randomizada, PECO troca Intervenção por Exposição. Use a sigla como apoio para a leitura, não como substituta da pergunta completa.

O estimando é o efeito ou a pergunta exata que os dados devem estimar. Para a Pergunta A: a diferença média no escore de sintomas em seis semanas, apoio menos cuidado usual, entre adultos elegíveis. A estimativa é o número calculado nesta amostra para esse alvo. A unidade de análise é o que cada linha contribui: aqui, uma participante, não uma consulta. O intervalo de confiança (IC) é a faixa de efeitos compatíveis com os dados e as suposições declaradas; ele mostra incerteza, não prova clínica.

decisão da clínicasintomas em 6 semanasestimando escolhidoapoio − cuidado usualuma participante · 6 semanasrelatoestimativa + IC

Escreva o plano em linguagem clara

O plano registra escolhas antes de olhar o resultado e mudar a pergunta:

plano resolvidoPopulação: adultos elegíveis que deixam esta clínica.
Comparação: apoio à alta versus cuidado usual.
Desfecho e tempo: escore de sintomas seis semanas após a alta.
Unidade: uma participante.
Efeito: média no apoio menos média no cuidado usual.
Escores faltantes: registrá-los e declarar a regra antes da análise.

O plano escolhe a Pergunta A. “Antes e depois” responderia à Pergunta B; “mudança em cada grupo” responderia à Pergunta C, salvo se comparasse explicitamente essas mudanças. Uma estimativa negativa de apoio menos cuidado usual significaria menos sintomas médios no grupo apoio; o IC mostraria quanta incerteza permanece. É uma decisão didática, não evidência de que o programa funcione.

a clínica agora pergunta se os dois grupos mudaram de forma diferente entre a alta e seis semanas. O que o plano precisa renomear?
Renomeie o estimando como a diferença entre grupos nas mudanças. A Pergunta A compara grupos em seis semanas; ela não pode virar silenciosamente uma pergunta de mudança sem alterar quantidade, estrutura dos dados e interpretação.

A auditoria metodológica canônica de 12 itens

Esta lista numerada é a auditoria estável usada em toda a trilha. Responda cada item em linguagem clara antes de tratar um método ou resultado como pronto; resposta ausente ou conflitante exige revisão.

  1. Efeito-alvo (estimando). Declare o contraste ou a quantidade exata que a análise pretende estimar.
  2. População e unidade. Nomeie quem pode contribuir e o que representa uma observação independente.
  3. Escala do desfecho. Defina o que é medido, sua unidade ou faixa e o significado de valores maiores e menores.
  4. Grupos e tempos. Nomeie grupos, condições e momentos que formam a comparação.
  5. Dependência. Identifique medidas repetidas, participantes, centros, famílias ou conglomerados compartilhados que relacionam observações.
  6. Amostragem e viés. Explique como registros entram na análise e como seleção, exclusões ou ausência podem distorcer o efeito-alvo.
  7. Defeitos nos dados. Verifique valores impossíveis, duplicatas, unidades, datas e inconsistências entre campos, preservando a trilha de auditoria.
  8. Suposições. Declare as suposições do modelo e dos dados faltantes e como suas consequências serão contestadas.
  9. Pré-especificação e multiplicidade. Nomeie a afirmação principal antes dos resultados e como a família completa de comparações será tratada.
  10. Método direto para o efeito. Escolha um método que estime diretamente o item 1, não um substituto conveniente.
  11. Efeito, intervalo e diagnósticos. Relate juntos magnitude, incerteza e verificações relevantes do modelo ou dos dados.
  12. Limites causais e de generalização. Declare o que o desenho não estabelece sobre causa nem sobre populações além da amostra observada.

O número do item faz parte do contrato: módulos posteriores retornam a esta âncora em vez de renumerar a auditoria silenciosamente.

Tente uma nova decisão, sem código

Uma clínica comunitária precisa escolher entre contatos por telefone e por mensagem de texto para pessoas que começam um medicamento para pressão arterial. A tabela tem uma linha por pessoa: formato do contato e se a pessoa toma o medicamento como prescrito 14 dias depois. Escreva cinco linhas: população, comparação, desfecho e tempo, unidade e efeito.

um plano bem definido
População: pessoas que começam o medicamento nesta clínica. Comparação: contatos por telefone menos contatos por mensagem de texto. Desfecho e tempo: tomar o medicamento como prescrito no dia 14. Unidade: uma pessoa. Efeito: diferença na proporção que toma o medicamento como prescrito. Isso responde à pergunta entre formatos no dia 14. Não é uma comparação antes e depois: a decisão declarada compara dois formatos em um único acompanhamento programado, não a mudança de cada pessoa a partir de uma medida inicial.

Eventos intercorrentes: registre-os sem mudar a pergunta

Módulos posteriores tratam de integridade dos dados, suposições para dados faltantes, diagnóstico e relato. Em ensaios, um evento intercorrente—por exemplo, interromper o tratamento ou iniciar terapia de resgate—pode mudar a pergunta respondida. O ICH E9(R1) é uma extensão pública para esse problema de planejamento. Por enquanto, registre esses eventos e não troque silenciosamente a pergunta depois de ver os resultados.

Prática técnica opcional: AURORA-30

AURORA-30 é um dossiê fictício de prática composto por pequenas amostras sintéticas. Ele não contém participantes, instituições, intervenções ou desfechos clínicos reais, e seus resultados não são evidência clínica. Você não precisa dele, de JSON nem de código para entender este módulo. Uma contagem ou um valor só passa adiante quando o módulo seguinte nomeia o mesmo arquivo e campo; o exemplo da clínica em seis semanas acima é um caso separado, sem código.

contrato da linha do tempo · as datas não são sinônimos
  1. Linha de base → dia 30: as amostras de plano, auditoria dos dados, perfil descritivo e incerteza de HEALTH.1–4 e o contrato resolvido de HEALTH.5 usam symptom_score_day_30 ou a diferença de médias no dia 30. O verificador incluído em HEALTH.5 é uma amostra independente de contrato de mudança média.
  2. Linha de base → semana 4: HEALTH.6–8 usam uma amostra separada de comparações e modelos com w4_symptom e response_w4. Semana 4 significa 28 dias aqui; não é uma medida do dia 30 renomeada.
  3. Dia 0 → dia 90: HEALTH.9 usa um desfecho distinto de tempo até recaída. Um participante pode ter um evento ou último contato confirmado antes do dia 90; isso não cria um escore de sintomas do dia 30 ausente.
  4. Outras visões: HEALTH.10–11 usam medidas de diagnóstico e concordância, enquanto HEALTH.12–13 auditam ou reúnem seus artefatos. Esses campos não viram acompanhamentos adicionais de sintomas.

O laboratório opcional abaixo verifica o ramo de planejamento do dia 30: se um plano sintético nomeia alvo, unidade, tempo e evidência.

{
  "population": "eligible synthetic participants",
  "comparison": "support minus usual care",
  "outcome": "symptom score at day 30",
  "unit": "participant",
  "estimand": "mean difference at day 30"
}
▶ prática técnica opcional · laboratório executável

analysis-plan-contract

Valide um plano sintético. É apenas prática: não exige dados clínicos, conta ou download.

labs/analysis-plan-contract/ · python analysis_plan_contract.py --input samples/aurora30_plan.json --out analysis_plan.json --format json --lang pt
o que deve fazer você pausar antes de escolher um método?
Qualquer escolha ainda aberta sobre população, comparação, desfecho, tempo, unidade ou regra para escores faltantes. Um método não conserta uma pergunta que o plano não declarou.
pontos-chave